3 de set de 2014

Aldeir Torres - Abrindo o jogo.

A diretoria do Santos é quem deveria ser demitida


O futebol é um negócio gerido muitas vezes pela emoção. O dirigente, apaixonado, toma decisões no calor do resultado e a tendência é que o lado passional sobreponha o racional. Outras vezes, no entanto, o dirigente é racional. O que não significa dizer que é inteligente. As vezes pensa na política, na eleição que se avizinha, na necessidade de agradar conselheiros, membros de comitês gestores… e foi assim que o Santos demitiu Oswaldo de Oliveira. O Santos perdeu o campeonato paulista para o Ituano e está na metade de baixo da tabela do campeonato brasileiro. Algo incompatível com a história de um clube tão vencedor. Mas estar abaixo das expectativas nem sempre é culpa do técnico. O responsável maior pode ser o dirigente com seus péssimos negócios. Em um país onde existem ao menos 12 clubes considerados grandes – os quatro paulistas e cariocas, além da dupla mineira e gaúcha – nem todos vão poder disputar na parte de cima os títulos da temporada. E é inadmissível que o Santos passe o seu terceiro ano sendo mero coadjuvante. Aliás, foi em 2007 a última vez que esteve bem colocado no Brasileirão, mas as campanhas da Copa do Brasil em 2010 e da Libertadores em 2011 compensaram o fracasso no principal torneio do país. E não é de Oswaldo a culpa por três anos seguidos de meio de tabela. A culpa maior do fracasso atual é de Odílio Rodrigues. Os diretores e conselheiros que gostam de discursos inflamados e pensam mais em fazer conchavos políticos em ano eleitoral do que nas perspectivas dentro de campo também. Se a crise é técnica, Zinho, gerente de futebol e responsável pela secretária técnica do clube, é também um grande responsável pelo mau planejamento.


Afinal, foi essa diretoria que fez o pior negócio da história do Santos, contratando Leandro Damião por 13 milhões de euros. O dinheiro que dá para montar um time foi gasto na contratação de um atacante em baixa, com um problema físico e que chega ao nono mês do ano com meia dúzia de gols marcados. Foi a mesma diretoria que perdeu Cícero, então artilheiro do time (pelo segundo ano seguido) para o Fluminense. Oswaldo de Oliveira deixa o Santos no meio da tabela do Brasileiro. Um lugar que condiz com a qualidade de seu time. Apesar dos pesares, uma defesa com Bruno Uvini e David Braz, que davam muito mais calafrios que segurança ao torcedor, chega na metade do campeonato como a terceira menos vazada da competição. Gabriel, aos 17 anos, cresceu com o treinador e já tem 16 gols em seu primeiro ano no time de cima. Arouca faz sua melhor temporada desde 2011 e participa de gols como nunca havia feito na carreira.


Com Robinho a tendência era o Santos crescer. Tanto que jogou bem contra o Corinthians e contra o Cruzeiro, apesar dos resultados, e venceu o Grêmio na Arena, dando importante passo para avançar na Copa do Brasil. Oswaldo não teve tempo de trabalhar o novo reforço e o fazê-lo completar Gabriel melhor que Thiago, Rildo ou Damião faziam. A decisão da demissão de Oswaldo de Oliveira é tosca. A diretoria se defende em “não errar por omissão”, detectando que a troca do técnico vai levar o time a uma posição que muito dificilmente ele ocupará na tabela de classificação. Sua atrapalhada diretoria não trabalhou bem o suficiente para fazer o Santos ser mais que um time de meio de tabela, mas quem paga o pato por isso é o treinador. Oswaldo não merecia ser sair. O responsável é Odílio, Zinho e os diretores. Eles é quem deveriam ser sumariamente demitidos.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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