15 de ago de 2014

Aldeir Torres - Copa do Brasil.

Fluminense, Internacional e São Paulo: ainda existe bobo no futebol


Imagine você que o Fluminense não sofria quatro gols em casa, em um jogo oficial, desde 2011. Imagine que o América de Natal não fazia cinco gols em um jogo há dois anos. Imagine que o São Paulo só havia sofrido três gols uma vez em 2014 (e vencido por 6-3). Imagine que há um ano e meio o Bragantino não vencia um jogo fora de casa fazendo três gols. Imagine três dos cinco primeiros colocados da Série A eliminados para o 1º, 13º e 18º da Séire B. Pois eis que todos esses eventos raros aconteceram de uma só vez, em uma noite apenas. Que coincidência!
Méritos e palmas para Bragantino, América de Natal e Ceará.Especialmente o Ceará, que venceu o Inter duas vezes, foi melhor no Beira Rio e no Castelão. Difícil entender como o Inter vai jogar fora de casa, contra o primeiro lugar da segunda divisão e se dá ao luxo de poupar jogadores importantes como D’Alessandro e Alex. Sob o risco de ser eliminado, com Abel Braga dizendo que o time não queria ser eliminado. Ainda assim poupa dois de seus principais jogadores?


O São Paulo tem sido um time de altos e baixos. E os altos nem tem sido assim tão altos. Ano passado foi eliminado pela Ponte Preta na Sul-Americana, esse ano para a Penapolense no Paulista e agora cai para o Bragantino, antepenúltimo lugar da segunda divisão. O Braga tem média de um gol por jogo contra os times da Série B, mas foi ao Morumbi fazer três gols no quinto colocado da Série A. Ah o imponderável… Mais difícil entender o “apagão” do Fluminense. Desde novembro de 2011, quando venceu o Grêmio por 5 a 4, o Flu não sofria quatro gols (teve o amistoso contra a Itália em junho, mas era um amistoso). Conseguiu a façanha em apenas 45 minutos. O time de Cristóvão levou 12 gols em 14 jogos na primeira divisão. E sofreu quatro em metade de um jogo contra o 13º colocado da B. O América de Natal, que mais perdeu do que ganhou até aqui na segundona, chegou a poupar jogadores no Maracanã, diante do improvável resultado que deveria construir.


Todos esses eventos ao mesmo tempo são estranhos. Quem cai na Copa do Brasil antes das oitavas-de-final vai disputar a Sul-Americana. O Fluminense ainda depende do resultado do Santos que, se eliminado, tira os cariocas da competição continental. Desde que o eliminado da Copa do Brasil vai para a Sul-Americana, nunca tantos times da Série A caíram antes das oitavas. Foram dez em 2014 e sete em 2013. Somados os eliminados antes das oitavas entre 2012 e 2009, chegamos a nove equipes da primeira divisão. Ou seja, em quatro anos somados tivemos menos eliminados prematuros que apenas em 2014. Nos dois anos com o regulamento atual tivemos recorde de eliminados da Série A antes das oitavas-de-final. Vamos tratar isso como mais uma coincidência (veja os números completos no FutDados).


Não digo que Fluminense, São Paulo e Internacional perderam de propósito para jogar outro campeonato. Não digo porque não posso provar. Acredito que qualquer um dos três pudesse ser eliminado. Mas os três, ao mesmo tempo, acho muito pouco, pouquíssimo, provável. Duvido muito que o esforço dos três grandes seria o mesmo se, eliminados da Copa do Brasil, não tivessem um torneio internacional como prêmio de consolação. Alguém acha que Abel Braga pouparia jogadores? Fluminense e São Paulo não teriam ao menos tentado ganhar tempo fazendo cera para administrar a classificação quando ela ficou ameaçada? 
O regulamento permite. A avaliação do querer ou não ganhar é subjetiva. Não existe um “esforçometro” para medir quem está mais ou menos comprometido. Mas ainda bem que não existe um “bobometro” também. Arriscaria ele explodir na nossa cara. Porque sim, ainda tem bobo no futebol.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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