28 de ago de 2014

Aldeir Torres - Assis:

 O anti-Ronaldinho do futebol


Até as questões burocráticas já estavam sendo resolvidas. O Palmeiras já havia pagado à Federação Mineira de Futebol a taxa para ter Ronaldinho Gaúcho. Federações são como cartórios e isso já eram providenciados. E então voltou à cena Assis para fazer o que normalmente faz: pedir mais dinheiro. Nem depois de mais de uma década com Ronaldinho ganhando muito bem, de clubes e patrocinadores, seu irmão aceita uma migalha menos que o pretendido. Mesmo que isso já houvesse sido previamente combinado. O combinado não sai caro. Para Assis, no entanto, o combinado sempre pode custar um pouco mais. Para o representante, os clubes são vacas. E vacas têm que dar leite. Assis quer sempre sugar até a última gota.


Foi assim no Grêmio, de onde Gaúcho saiu em litígio em 2001 para ir jogar na França. Depois, Ronaldinho estava praticamente acertado com o Manchester United para ser o substituto de Beckham e Sandro Rosell o convenceu a jogar no Barcelona que pagava bem menos ao PSG do que o clube inglês. Ronaldo saiu do Barça sem dificuldades, já que Guardiola não o queria mais, mas durante seu auge Assis batia à porta do presidente Joan Laporta a cada dois meses pedindo um novo aumento. Como não dar aumento ao melhor do mundo e quem mudou a história do clube? Pois é. O empresário-irmão sabia disso.A saída do Milan poderia ser simples, já que não o queriam mais por lá. O problema é que muitos o desejavam no Brasil. Assis promoveu um verdadeiro tour por churrascarias e o Grêmio chegou a colocar as caixas de som no Olímpico para a festa do retorno do filho pródigo. Ronaldinho parou no Flamengo e saiu com Assis levando camisas da loja oficial do clube e acionando o rubro-negro na justiça. O Atlético talvez seja a exceção. Chegou em baixa, saiu com a eterna gratidão do clube. O último ato do representante do jogador foi justamente no dia do aniversário do Palmeiras.


Na festa de centenário do clube, Paulo Nobre disse que “Assis se estressou”. O vice-presidente do Palmeiras, Mauricio Galiotte disse que “tudo o que foi pedido, o Palmeiras aceitou”. Mas com Assis tudo nunca é o bastante. Sempre pode ser um pouco mais. E depois mais… e mais.
A contratação de Ronaldinho nesse momento seria uma incógnita. Desde junho de 2013, há mais de um ano, Ronaldo não faz um gol de bola rolando. A queda de motivação e interesse pelo futebol foram nítidas no Atlético. Não seria fácil para o Palmeiras mantê-lo afim. Por outro lado, mesmo aos 34 anos, a qualidade técnica do ex-melhor do mundo está muito acima do restante do elenco que luta par anão ser rebaixado. A questão técnica agora fica em segundo plano. Ronaldinho não jogará no Palmeiras. É incrível como um jogador que se notabilizou por sorrir enquanto joga, por parecer se divertir tanto dentro de campo e não se preocupar com nada além da bola, tem alguém tão antagônico ao seu lado. Assis, que foi jogador, parece não ver a bola, não sorrir nunca, não se divertir jamais. A não ser que todos os cifrões possíveis estejam com ele. E se o irmão representa o craque, é difícil dizer que Ronaldinho não seja conivente com todas essas situações. Assis é a metade sombria do irmão. A dupla representa bem o futebol moderno, em que os negócios estão totalmente ligados ao campo. Ronaldinho ama o futebol. Assis ama o dinheiro.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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