19 de ago de 2014

Aldeir Torres - Abrindo o jogo.

O Palmeiras paga o preço por Gareca


São nove jogos sem vencer. Dois pontos conquistados nos últimos 27 disputados. A seca do Palmeiras começou antes da chegada de Ricardo Gareca. Com o argentino são seis partidas no Brasileiro, com um empate e cinco derrotas. Por mais que o início seja o pior possível, é preciso insistir no argentino. O Palmeiras está, neste momento, pagando o preço da aposta que fez. Gareca precisa de tempo não apenas porque é estrangeiro e mereça mais crédito que os técnicos daqui. Mas o que o clube fez desde o fim da Copa do Mundo é uma verdadeira revolução. Além do treinador chegaram Tobio, Mouche, Allione, Cristaldo e Victor Luís foi alçado da base. Meio time do Palmeiras nunca havia jogado uma partida sequer do Brasileiro antes de julho. Não bastasse isso, Valdivia, o melhor do time, saiu, voltou e jogou 15 minutos até se machucar. Quando o campeonato começou, o Palmeiras tinha Prass, Valdivia e Allan Kardec. Hoje tem meio time que não está minimamente acostumado com a competição e não conta com os três pilares da equipe (Prass retornará talvez ainda no fim de agosto).


Com três clássicos em um mês e o líder do campeonato nessa sequência, exigir resultados imediatos era muito difícil. No último jogo, Fabio praticamente deu um gol para o São Paulo e Henrique perdeu a chance de vencer já sem goleiro e um minuto antes do gol de Allan Kardec. Falta qualidade a um time que não é desorganizado dentro de campo.
A não ser que não tenha ideia do que esteja fazendo, a diretoria do Palmeiras deve saber que está pagando o preço por apostar alto. O momento de grandes mudanças como um técnico e mais quatro estrangeiros é dezembro para que se tenha um longo estadual para adaptação e formação do time. A sequência de seis primeiros no Paulista de 2014, por exemplo, tinha Linense, Comercial, Atlético Sorocaba, Penapolense, São Paulo e XV de Piracicaba. Infinitamente mais tranquila que Santos, Cruzeiro, Corinthians, Bahia, Atlético-MG e São Paulo. Gareca já fala como um técnico extremamente pressionado. Fala em seus limites e que seu crédito está perto do fim. Os resultados são fundamentais para dar tranquilidade para se trabalhar e, se eles não vêm, cabe à diretoria entender que se fosse para conseguir vitórias a qualquer custo, qualquer técnico brasileiro poderia ser contratado. Desistir do treinador – ou permitir que ele desista – fará o Palmeiras dar passos atrás. Mostraria que o clube não sabe a hora de reformular e reconstruir o time e não tem convicção no que faz. E ainda geraria uma péssima herança, depois de contratar quatro argentinos indicados por Gareca.


O Palmeiras precisa pagar este preço. O momento de contratar um técnico e quatro jogadores que nunca jogaram uma partida de Brasileiro era em janeiro e não em julho. Gareca é bom e tem condições de fazer o time subir de rendimento e ficar na primeira divisão sem muitos sustos. É esperar e torcer.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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