8 de jul de 2014

Aldeir Torres - Depois de vexame histórico.

A maior derrota do Brasil vai servir pra quê?


Busque qualquer análise ou reportagem pré-jogo. Até mesmo aquelas com torcedores coloridos, sorridentes e ligeiramente ébrios. Ninguém imaginava um chocolate. Era impossível pensar em uma surra tão forte. Fosse boxe, o Brasil teria ido à lona no primeiro tempo e não teria se levantado. Não era boxe, era MMA. O Brasil caiu e a Alemanha seguiu batendo e batendo. Impiedosamente. Quatro gols em seis minutos. Entre os 23 e os 29 a Alemanha aplicou o maior golpe já sofrido pela seleção mais vencedora do Mundo. Com as ausências de Thiago Silva e Neymar, eu não via o Brasil favorito. Os alemães, mais preparados, treinados e organizados, tinham uma vantagem de 60 a 40%, na minha opinião. Porque há muito respeito ao futebol brasileiro, porque havia uma bola parada forte e que havia decidido dois jogos. Além disso os alemães empataram com Gana, só venceram a Argélia na prorrogação e fizeram 1-0 na França em uma jogada de falta. Isso dava vida ao Brasil. Por outro lado, a preparação era catastrófica. A seleção Brasileia descansou muito mais do que treinou, poucas vezes testou outro sistema de jogo para ter um plano B. Scolari e seus assessores se preocuparam demais com a arbitragem, com a pressão que os outros teoricamente faziam, com as faltas contra o Brasil (até as semifinais a seleção brasileira era a que mais batia na Copa). Depois de vencer a Colômbia, o departamento jurídico da CBF entrou em ação: tentou reverter – de forma patética – o cartão amarelo de Thiago Silva e cobrou punição ao eliminado Zuñiga. Momentos antes de enfrentar os alemães, Paulo Paixão, preparador físico do time, foi até o gramado do Mineirão espalhar sal grosso.


Entre bastidores, guerra de nervos e aspectos místicos, o Brasil fez tudo e um pouco mais do que era possível. Dentro de campo fez menos do que o aceitável em diversos pontos. A Alemanha tinha uma proposta mais clara desde o início. Eles têm uma forma de jogar, tem clareza e muito mais beleza. Ao Brasil, bastava vencer a Copa e que fosse na marra. Existem várias formas de vencer partidas e campeonatos e uma dessas formas é jogar bem. E isso o Brasil não fez e não sabia fazer. Nosso futebol ficou conhecido pela beleza e leveza que inspirou outros povos a buscar algo parecido. Durante a Copa, o mundo se estranhou com o futebol duro, direto e nada bonito. O 7 a 1 para os alemães não era lógico e não é a distância entre os dois times. Se jogarem 10 vezes, dificilmente alguém goleará o outro, mas isso aconteceu em uma semifinal de Copa do Mundo. Mas se jogassem essas 10 vezes, em 10 os alemães tentariam jogar bem, manejar a bola no meio, trocar de posições e induzir o adversário ao erro. E o Brasil faria o que 10 vezes? Faltas e lançamentos. Buscaria por 10 partidas jogadas individuais para vencer um ótimo rival. A qualidade das equipes não é para que o 7 a 1 se repita sempre, mas a diferença de preparação durante a Copa e sobretudo no planejamento de futebol de uma seleção e de outra é sim uma goleada alemã. Eles trabalham melhor do que nós e isso acabou aparecendo em campo.


Uma derrota tão acachapante poderia ser um marco para o futebol brasileiro. Para mudar a postura de dirigentes, para que os clubes formassem jogadores diferentes, que os técnicos se atualizassem, que viessem profissionais qualificados de outros lugares passar um pouco da visão deles para nós. Não que os estrangeiros são ótimos e nós somos péssimos, mas é que nós temos algumas coisas a aprender, mas a soberba e arrogância brasileira dentro do futebol nos impedem de ver isso. O brasileiro acha que é superior aos outros. Não é. Eles aprenderam com a gente e nós poderíamos aprender com eles. Não a chutar uma bola, mas a se organizar. Desde treinamentos até formação de jogadores. O Brasil poderia perder ou ganhar da Alemanha. Parecia ser um jogo equilibrado. Não foi e quando se perde de 7 a 1 é preciso dar um passo arás, alguma coisa tem que ser aprendida. Com a mentalidade de quem está a frente do futebol brasileiro eu não acredito nisso. Não mudará nada. Vamos tentar ganhar na marra de novo daqui a quatro anos, torcendo por um grande mês de Neymar.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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