30 de jul de 2014

Aldeir Torres - Da confiança aos títulos:

Ronaldinho deixou o Atlético mais leve


Pouco mais de dois anos após chegar, Ronaldinho deixa o Atlético. O maior retrato de um relacionamento que começa com desconfiança e admiração, vive excelentes momentos e é capaz de se apagar sem mágoas e com ótimas recordações. Ronaldinho chegou, viveu e saiu do Atlético muito bem. Não foi uma relação que não teve gosto de nada, como no Milan; que ficou marcada pela raiva, como no Flamengo; que foi interrompida pela justiça, como no Grêmio. Tanto em campo como no que conseguiu transformar ao seu redor, o Ronaldo do Atlético foi o que mais lembrou o Roonie do Barcelona.


Há mais de um ano Ronaldinho não faz um gol com bola rolando em um jogo oficial. Vinha sendo substituído e o time melhorando depois de sua saída. Era claro que o desempenho em campo já não era mais o mesmo e o esforço fora dele não parecia ser. Não é fácil mantê-lo motivado por muito tempo. Um jogador que já conquistou os melhores títulos individuais e coletivos em campo, que tem tudo que o dinheiro pode cobrar fora dele e que já passou anos e anos tendo que se privar de tudo que poderia usufruir. As notícias mostram como domá-lo fora de campo ficou mais difícil do que dentro nos últimos meses. Por mais que o final seja triste como todo fim de relação, o que Ronaldo fez pelo Atlético é muito parecido com o que fez em seu melhor momento na carreira, em Barcelona. Em 2010 e 2011 o Atlético lutou até o fim para não ser rebaixado. Apesar dos investimentos de Alexandre Kalil em grifes como Rever, Diego Souza, Daniel Carvalho, Fábio Costa e Vanderlei Luxemburgo, os resultados eram desastrosos. A primeira conquista de Ronaldinho foi fazer o clube e os torcedores levantarem de novo a cabeça. O time se sentiu mais confiante e jogadores como Bernard, Jô e Marcos Rocha cresceram a seu lado.


Claro que Ronaldinho deixa o Atlético ficando marcado pelo título mais importante da história do clube. Com grandes atuações nas fases iniciais e o indiscutível efeito psicológico que trazia a seus companheiros e aos adversários levou o clube a um grande título depois de 42 anos. E, emblematicamente, o ciclo de Ronaldo se encerra na Recopa, com mais uma conquista, exatamente um ano depois do maior feito. No Barcelona, Ronaldinho teve quase o mesmo trabalho. Devolveu o sorriso a uma torcida que vinha amargando maus resultados e via seu maior rival se distanciar. Fez jovens como Messi e Eto’o renderem como seus coadjuvantes. Deu ao clube uma Liga dos Campeões, que não vencia há 13 anos. Saiu porque era preciso seguir em frente. Ele e o clube. Logo depois de vencer o Lanús o Atlético precisa olhar para frente. Retomar o rumo ambicioso e competitivo de 2012 e 2013. E isso precisa ser feito sem Ronaldinho, mas também sem o peso de décadas sem uma grande conquista no currículo.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

Obrigado por visita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário