10 de jul de 2014

Aldeir Torres - Abrindo o jogo.

Pior que o fantasma de cinqüenta (50).


Durante sessenta e quatro (64) longos anos o Brasil viveu o drama de tentar esquecer ou superar um fracasso colossal: a perda da Copa de 50, em pleno Maracanã. O gigantesco estádio, com 200 mil pessoas, construído especialmente para aquela primeira Copa em nosso País, foi o cenário da maior tristeza do futebol brasileiro: o Brasil perdeu para o Uruguai o título mundial, que seria o nosso primeiro, e que ficou adiado por oito anos. Mas o Brasil é pródigo em extremos e conseguiu superar esse desastre com outro ainda maior. Somos o País da hipérbole, do gigantismo. Temos MineirÃO, CastelÃO, ItaquerÃO e por aí afora. E somos o único país a perder de 7 numa semifinal. A catástrofe de Belo Horizonte vai ficar como uma ressaca sem fim, pois não passa no dia seguinte.
Antes da Copa começar sonhamos com uma nova final Brasil x Uruguai. Aí, vencendo, espantaríamos de vez o tal “fantasma de 50″. Nunca mais alguém brincaria conosco assim. Mas os uruguaios caíram. Restava então imaginar a final contra nossos maiores rivais, os argentinos. Neymar poderia brilhar mais que Messi e ficaria provado de uma vez, para eles, que Maradona nem se compara a Pelé e que Neymar vai superar, com o tempo, o que Messi já fez. Mas, machucaram Neymar e o tiraram covardemente das finais.

Então veio o jogo com a Alemanha. Sem Neymar e sem o capitão Thiago Silva, a seleção brasileira parecia um time amador contra uma impiedosa máquina de jogar futebol. A goleada de 7×1 doeu, ainda dói e assim ficará por muito tempo, até que possamos ir à forra. Agora já temos duas contas a acertar. Com o Uruguai e com a Alemanha. Consolo? Seja quem for o campeão da nossa Copa, continuaremos sendo o País com mais títulos mundiais. Os alemães terão que vencer esta e a próxima para nos igualar. Os argentinos? Terão que comer muita grama ainda. E nosso futuro? A nossa seleção atual estará na casa dos trinta (30) anos na próxima Copa, na Rússia, com exceção de Neymar, Oscar e Bernard. Velhice, ou experiência? E o técnico? O corporativismo dos técnicos brasileiros “impede” a chegada de técnicos estrangeiros, que possam trazer novas metodologias, novos conceitos. Os salários que são pagos a Felipão, Muricy, Tite, Abel, Luxemburgo, os técnicos de primeira linha do Brasil, pagariam um técnico estrangeiro. Mas eles não são bem-vindos. Não está na hora de mudar essa tese?

A hora é de reflexão, mas também de ação. Temos um torneio olímpico de futebol daqui a dois anos. No Rio. Talvez seja hora de preparar uma seleção sub-23, não apenas para ganhar a medalha de ouro olímpica, mas como parte de um planejamento visando renovar a seleção brasileira que disputará a próxima Copa do Mundo.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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