10 de jul de 2014

Aldeir Torres - Abrindo o jogo.

Messi não é mais o mesmo.


É muito difícil criticar Messi. Pelo simples fato que a qualquer momento ele pode pegar uma bola e te deixar com cara de idiota por ter ousado falar algo que não seja exaltar as qualidades do 10 argentino. Por mais que ainda seja ótimo, parece não ser mais o mesmo. Alguns números ainda o sustentam no auge, mirando o campo é possível ver que o olhar assassino que o acompanhou por anos parece mais distante.


Em 2013, Leo se machucou muito. Retornou em janeiro deste ano e alternou jogos de grande participação e outros, cada vez mais frequentes, em que parecia que não estava em campo. Fez partidas sensacionais contra o Manchester City no Camp Nou e contra o Real Madrid no Santiago Bernabéu (três gols e uma assistência). Por outro lado, caminhou na final da Copa do Rei e nos confrontos decisivos com o Atlético de Madrid.

Diziam que ele se poupava para a Copa do Mundo. Messi não se esquivou de dizer que vencer a Copa é o seu grande objetivo e isso é o que falta para que entre no patamar dos melhores da história. É normal que tenha perdido o foco no fim da temporada em Barcelona para entrar com tudo na Copa. Não é normal que chegado o Mundial passe pelo jogos quase sempre decidindo, mas participando muito pouco.

Messi percorreu 41,4km em cinco partidas. Ficou em campo 453 minutos. Neymar jogou quatro minutos a mais e percorreu 8km a mais em campo (49,9km). Thomas Muller foi ainda mais longe. Ficou em campo 19 minutos a mais que Messi e correu 16km a mais que o argentino. Talvez comparar Messi aos 27 anos com jogadores de 22 e 24 anos possa ser relativamente injusto. Comparando-o então com Robben, de 30 anos: Messi permaneceu em campo 27 minutos menos e correu 14km menos que o holandês.


Comparando o 10 argentino com jogadores de posições e responsabilidades parecidas, das equipes semifinalistas, ninguém se esforçou menos em campo que Messi. Claro que ele pode se poupar para ser mais fatal, mas quanto menos participa, menos decisivo pode ser. Hoje Messi parece jogar por uma bola. Antes das lesões de 2013 jogava por 10.


No Barcelona era normal e compreensível um Messi ausente. Na Argentina, esperava ver um jogador completamente diferente e não é isso que acontece. Acho que Messi quer e não pode. A impressão é que entre os vômitos que o acompanham e as lesões que o atrapalharam depois de anos se machucar, Messi deixou de ser o mesmo. Ainda é ótimo, tem 32 gols e 11 assistências em 2014. Mais do que qualquer outro jogador no planeta esse ano. Segue letal e de sua qualidade não há nada o que se dizer. Mas não é mais o mesmo.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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