4 de abr de 2014

Aldeir Tôrres - Abrindo o jogo.

O Cruzeiro escolhe competir.


O Cruzeiro foi campeão brasileiro competindo pouco. Ganhando muito, atacando, pressionando, sufocando seus adversários. Ainda mais na sequência da maratona entre julho e outubro. Os adversários se cansavam, o Cruzeiro imprima um ritmo de velocidade, troca de passes, troca de jogadores graças ao elenco. Ganhou o Brasileiro com imensa vantagem, baseando seu jogo no ataque sempre. Quase nunca olhando para trás.

O momento crítico da Libertadores e a necessidade de vencer a Universidade do Chile em Santiago não fizeram o Cruzeiro renunciar ao estilo vencedor, mas buscou se adaptar à competição que exige muito mais competitividade que beleza. A Libertadores valoriza o suor e não a plástica. É cruel com quem erra e nem tão misericordiosa com quem acerta.

Pensando em competir, Samúdio, com cinco Libertadores disputadas (e o melhor em campo, apesar da expulsão), Henrique e Júlio Baptisa foram a campo. Mais casca a um time que já tem uma cara e corpo definidos, nascido e amadurecido prematuramente em 2013. Ano em que não seria para estar pronto, mas esteve porque se fortaleceu o suficiente para isso.


Contra LaU, o Cruzeiro jogou como em 2013. Fez o primeiro, criou chances e em seu pior momento, quando o time chileno havia perdido dois gols e pressionava, uma troca de passes rápidos e rasteiros (como o ataque do Cruzeiro, diriam os antigos) colocou Samúdio para fazer o segundo gol. O momento de maior apuro do jogo foi recompensado com um gol e outro só não saiu pelo erro de Júlio Baptista, cara a cara.

No segundo tempo, o Cruzeiro mostrou querer competir mais do que jogar. Talvez pela primeira vez desde que esse time foi concebido. Saiu Goulart e entrou Souza para reforçar o meio. Saiu Everton Ribeiro e entrou Luan que ataca, mas principalmente ajuda o time. Deu certo. A Universidad do Chile só esboçou pressionar nos últimos cinco minutos, depois da expulsão de Samúdio e pelo lado esquerdo desfalcado da defesa.

Depois de dois tropeços, foi jogar contra o Defensor, abriu 2 a 0 e permitiu o empate em casa. Tipo de coisa que a Libertadores não costuma perdoar. Só no Chile, o Cruzeiro conseguiu controlar primeiro as próprias pernas, para depois controlar seu adversário. Talvez pelo gol cedo, talvez pelos mais experientes em campo, talvez por ter marcado o segundo quando era pior.


O certo é o que o time foi a Santiago para competir. Ganhar três pontos sim ou sim. Pode voltar para casa vivo e entendendo melhor o torneio em que está colocando os pés.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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