24 de set de 2013

Aldeir Tôrres - Tragédia ambiental no RN

Trinta baleias encalham em Areia Branca e sete morrem
Os moradores da praia de Upanema, no município de Areia Branca, distante 330 quilômetros de Natal, foram surpreendidos na manhã deste domingo (22) com 30 baleias encalhadas nos bancos de areia da praia. Inicialmente, cinco foram encontradas mortas e das 25 que foram devolvidas ao mar com vida, duas foram encontradas mortas horas depois, totalizando sete baleias mortas. Esse é maior encalhe de baleias registradas no litoral brasileiro. Técnicos do Projeto Cetáceos da Costa Branca, que realizam o monitoramento ambiental da área, apontam que os mamíferos pertencentes à espécie Falsa Orca (Pseudorca crassidens) mediam de três a seis metros. Em 2011, uma baleia Jubarte ficou encalhada na mesma região e conseguiu ser reintroduzida ao mar com sucesso.

Os biólogos do Projeto fizeram o salvamento dos animais que encalharam em uma área que possui muitas pedras, e tentaram encaminhar vários para águas profundas. Os animais mortos foram recolhidos para necropsia no laboratório de monitoramento ambiental localizado na sede do Projeto Cetáceos Costa Branca, onde será identificada a possível causa da morte dos mamíferos.

O professor Flávio Lima, coordenador do Projeto, disse que foi coletada amostra de material biológico para os exames de sangue, toxicológico e bacteriano, além da análise de tecido do corpo do animal. Os resultados dos exames devem sair de dois dias, os mais simples, até 90 dias, prazo final para concluir a análise da causa morte das baleias. O Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), a Polícia Ambiental de Mossoró e a Capitania dos Portos foram acionados para ajudar no salvamento.

O coordenador do Projeto, Flávio Lima, disse que o sétimo animal encontrado morto apresentava marcas de predação, semelhante a ferimentos como sendo de mordidas de tubarão. O professor descartou o risco de tubarão na região, pois esta espécie de mamíferos ocorre em águas profundas, com profundeza acima de 200 metros de profundidade, distante da costa marítima. Por isso, é provável que o animal tenha sido ferido em alto mar. “Sem dúvida, este foi um dos maiores encalhes de baleias do Brasil”, afirmou.

O biólogo Flávio Silva disse que não há registros de um encalhe coletivo nessas proporções no Brasil. “Há muitos encalhes de baleias no litoral brasileiro, mas não me recordo de algo nessa quantidade. Em 1991, 19 baleias encalharam em São Miguel do Gostoso, também no litoral potiguar. Mas um encalhe coletivo com 30 animais é a primeira vez que ouço falar no nosso país”.

A presença desta espécie ocorre em regiões tropicais e temperadas de todos os oceanos, embora também possa ser encontrada próxima à costa e em águas frias. Em geral, forma grupos de 10 a 50 indivíduos de ambos os sexos e todas as classes de idade, embora grupos com centenas de animais já tenham sido observados. No Brasil, existem registros no Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia e Paraíba. Até então, não havia registro da presença da espécie no litoral do Rio Grande do Norte. Existe um registro de encalhe em massa de 14 falsas orcas, sendo oito machos e seis fêmeas, no Rio Grande do Sul em junho de 1995.

Ainda não foram identificadas as causas do encalhamento. O coordenador do projeto Cetáceo da Costa Branca, Flávio José Lima, explicou que trabalha com duas hipóteses. A primeira, mais forte, está associada com alguma doença do líder do grupo, que se desorientou e levou o grupo até a praia de Upanema, que tem um banco d’água raso. “Essa espécie forma grandes grupos coesos e sempre acompanham os líderes mais velhos e ao acompanhar o líder, que possivelmente estariam doentes, eles mudaram a rota e se perderam”, afirmou.
A segunda hipótese apresentada pelo coordenador do Projeto é que, independente de estar doente, devido ao relevo do fundo da Costa Branca, encontraram os bancos de areia, se desorientaram, e encalharam na área rasa da praia de Upanema. “A plataforma continental entra muito para o mar e a geologia da região pode ter sido a causa do encalhamento coletivo”, explicou o professor Flávio Lima.

O projeto Cetáceo da Costa Branca completa 15 anos de atuação no mês de outubro no trabalho de monitoramento das praias atendendo os encalhes de baleias, golfinhos, peixes-boi, tartarugas e aves marinhas. Desde 2009, o projeto intensificou as atividades e faz o monitoramento de uma área de mais de 400 quilômetros. Diariamente, eles fazem o monitoramento do trecho que compreende as praias de Caiçara do Norte a Icapuí, no Ceará. De 20 em 20 dias, de Icapuí até a praia de Aquiraz, ambas no Ceará. O projeto é uma parceria entre a Fundação Guimarães Duque, Universidade Federal Rural do Semiárido (Ufersa), Universidade Estadual do Rio Grande do Norte (UERN) e Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN).
Aldeir Torres
Aldeir Torres

Obrigado por visita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário