8 de set de 2013

Aldeir Tôrres - Ponto de vista

Os interesses por trás da reunião contra a Conmebol
A reunião ocorrida em São Paulo na última quarta, com personalidades do futebol e números que mostram uma gestão obscura e prejudicial da Conmebol tem de ser vista com cautela. É altamente positivo denunciar fraudes e sumiço de dinheiro dos cofres da Confederação. Ainda mais se vier de punição aos envolvidos por isso. Mas é bom perceber também de quem veio e os interesses que pode haver por trás de uma reunião ‘pelo bem do futebol Sul-Americano”.

Abaixo o quem é quem, do encontro que foi realizado
Andrés Sanchez – opositor da cúpula da CBF desde que saiu de lá. Pode ser candidato à presidência da entidade ou formar uma liga de clubes no Brasil. Curiosamente essa liga já existia, o Clube dos 13, (e não servia para quase nada) e Andrés foi responsável por implodi-lo quando rasgou o compromisso de negociar os direitos de TV em conjunto, para seu clube levar mais dinheiro.

Romário
opositor de quem comanda o futebol brasileiro. Faz duras críticas, mas tem participação bastante discreta como deputado. Ganha popularidade, mas efetivamente faz pouco para combater quem ele tanto critica.

Maradona
 
desde que deixou a seleção argentina em 2010 dá declarações atacando a família Grondona, que comanda o futebol no país. Não fazia o mesmo enquanto estava dentro da AFA.

Ruggeri 
campeão mundial com a Argentina em 1986, esteve ao lado de Daniel Vila no projeto “por um cambio en el fútbol argentino”. É opositor da AFA e de Julio Grondona já há algum tempo.

Francescoli e Paco
Casal são sócios. Paco foi jogador de futebol, mas tem grande destaque como empresário. É considerado o “dono” do futebol do Uruguai por usa influência nos clubes e por agenciar uma grande parte dos atletas do país. Paco é dono da Gol TV que tenta comprar os direitos de transmissão de torneios da Conmebol como a Libertadores e Eliminatórias e acusa a Confederação de vender para outras empresas, por um valor mais baixo que o oferecido por ele.

Pelas descrições, a peça-chave da reunião é o empresário uruguaio. Todos estavam ali por seus interesses, sejam eles mais ou menos claros, e os holofotes que esses personagens geram são importantes para Paco. Expor o que há de errado e cobrar mais transparência pelos contratos firmados pela Conmebol pode ser uma boa brecha para que consiga finalmente os direitos que tenta negociar.

Não é preciso nem imaginar um cenário mais drástico, em que esse grupo assume o comando do futebol Sul-Americano. Por ser absolutamente improvável e por não ser esse o interesse dos envolvidos.

A questão é dividir melhor o bolo. Paco pensa em sua empresa, apesar do discurso do que os clubes poderiam ganhar e não ganham com as competições da Conmebol. Tanto que o futebol uruguaio não melhorou nem cresceu (pelo contrário até) com Paco Casal como figura mais influente do esporte no país. Peñarol e Nacional passam por dificuldades e os diretores do futebol no país querem que seus jogadores saiam cada vez mais cedo para a Europa, para se desenvolver lá e servir com mais qualidade à seleção.

É evidente que mudanças na Conmebol são necessárias. De nomes e mentalidade. Torneios mais bem promovidos, com menos política envolvida e que se tornem mais fortes tecnicamente. A pergunta é se esse grupo que se reuniu em São Paulo quer exatamente isso.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

Obrigado por visita.

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