14 de set de 2013

Aldeir Tôrres - Política

Getúlio Rego alfineta adversários: “Com Rosalba no governo, o RN parou de falar em corrupção”

Getúlio Rego afirmou que futuro governador do Estado, seja Rosalba ou não, terá muita dificuldade para administrar. Foto: Divulgação
Getúlio Rego afirmou que futuro governador do Estado, seja Rosalba ou não, terá muita dificuldade para administrar. 


O deputado estadual Getúlio Rego (DEM) disse hoje que, sob a administração da governadora Rosalba Ciarlini (DEM), o Rio Grande do Norte deixou de falar de corrupção na administração pública. O deputado se referiu, indiretamente, a gestões passadas, quando ocorreram denúncias nos governo Garibaldi Filho (PMDB) e Wilma de Faria (PSB).

“Tem um detalhe que é importante destacar. O RN parou de falar em corrupção na administração estadual. Isso é fundamental para mostrar que o que Rosalba está fazendo é um esforço gigantesco para melhorar as finanças do Estado e inclusive pagar a folha. Não sobra dinheiro”, afirmou, em entrevista ao Jornal de Hoje.

As palavras de Getúlio, que é líder do governo Rosalba Ciarlini na Assembléia Legislativa, surgem num contexto de discussão interna quanto ao desgaste do governo Rosalba Ciarlini. O Jornal de Hoje trouxe declarações dele em entrevista à imprensa seridoense, em que ele afirma que se a eleição fosse hoje, diante desse desgaste, Rosalba não teria condições de disputar a reeleição.

“O que eu disse que saiu parcialmente é que se a eleição fosse hoje, lógico que a governadora talvez não fosse candidata. Porque temos consciência de que há um desgaste do ponto de vista de popularidade. O Estado com o desgaste que está enfrentando, não tem milagre que possa corresponder à população. Portanto, acredito que a governadora hoje só é candidata a uma coisa: contribuir para reequilibrar as finanças do Estado. As convenções partidárias são só no ano que vem. Ainda tem muita água para rolar debaixo da ponte. Como dizia Tancredo Neves, política é como as nuvens, quando olha está num canto, depois, muda”, avaliou.

Getúlio lembra que Rosalba é uma administradora testada e aprovada como gestora da segunda maior cidade do Estado, Mossoró, só que no governo do Estado não está podendo mostrar o trabalho dela. “Porque o Estado estava destroçado financeiramente. Então, agregado à dificuldade do governo, veio crise econômica, que se agregou à crise financeira. Então temos que ter a consciência da situação do RN”.

Dificuldades 

Getúlio Rego afirmou que o futuro governador do Estado – inclusive podendo ser a própria Rosalba – terá muita dificuldade para administrar. Segundo ele afirma, o Estado está numa situação em que trabalha com um esforço gigantesco apenas para pagar o funcionalismo em dia. “Não sobra dinheiro”, afirma.

Contudo, de acordo com o líder, existem notícias alvissareiras, que são a chegada dos recursos do “RN Sustentável”. Na avaliação dele, esses recursos poderão significar a recuperação da popularidade de Rosalba. “Tem dinheiro para chegar, e talvez possa significar a recuperação da sua popularidade. Os programas são bons, e vai gerar investimentos na saúde, nos recursos hídricos, na agropecuária. São recursos direcionados para melhorar o desempenho da administração”, afirmou.

Líder apela à oposição por responsabilidade quanto ao Estado

O deputado estadual Getúlio Rego confirmou que o governo do Estado deverá enviar à Assembléia Legislativa, nos próximos dias, pedido de autorização para um novo empréstimo, no valor de cerca de R$ 800 milhões. Ele explica tratar-se de uma linha de financiamento aberta pelo governo federal para fazer frente a estados e municípios prejudicados com a política fiscal do governo federal, que gerou a diminuição de repasses como o Fundo de Participação dos Municípios (FPM).

“O governo tem, num aceno do governo federal, um mecanismo de compensação não direta pela queda do repasse do FPM, em relação à isenção do IPI, e abriu essa janela para os Estados fazerem essa operação de crédito com juros barato e prazo longo, a fim de diminuir as dificuldades geradas em conseqüência da queda do FPM. Todos os estados estão se habilitando para isso. Acredito que todos os deputados irão aprovar”, afirmou.

Sobre as possíveis dificuldades do governo para aprovar a matéria na Casa, especialmente após o rompimento do PMDB com o governo Rosalba Ciarlini (a bancada do PMDB é formada por quatro deputados), Getúlio reconhece, mas apela ao bom senso. “É lógico que teremos dificuldade, por uma questão matemática. Se tínhamos maioria com apoio do PMDB, e perdemos o PMDB, perdemos a maioria. Agora, é buscar o diálogo para que os assuntos de interesse do Estado não sejam prejudicados”, afirmou.

Getúlio ressalta o tempo que foi oposição, declarando que nunca obstou os interesses maiores do RN. “Fui oposição e nunca botei pedra quando os assuntos interessavam à comunidade. Essa responsabilidade vai ser da oposição hoje. Se querem o pior, botem pedras. Não acredito que haja esse comportamento da parte deles. Porque, daquilo que não sou capaz de praticar, por achar que não é correto, atrapalhar a vida dos governantes, de quem está do outro lado espero o mesmo comportamento”.

Eleições

Quanto à possibilidade de alianças políticas do DEM pós-rompimento com o PMDB, Getúlio afirmou que a política é muito dinâmica, não sendo impossível todo tipo de aliança. “Eu acho que a política é tão dinâmica. É muito difícil passarem-se seis meses para não haver mudança no cenário. Já vi casos que nunca se imaginaram no passado acontecerem. Fazer uma aliança com Garibaldi em 2006 para governador. Depois disso, não tem mais surpresa para testar no futuro. É muito cedo para falar em eleição”.

Instado a abordar sobre possíveis preocupações do DEM quanto à formação da chapa proporcional no futuro, o deputado insistiu que na política tudo tem o seu tempo. “Eu sou um deles – deputados do DEM – e não estou nenhum pouco preocupado com a minha reeleição. Estou preocupado com a situação da crise econômica do País, que afeta estados e municípios e que causa dificuldades para todos os gestores”.
 Sobre a saída da ex-prefeita de Mossoró, Fafá Rosado, do DEM, para se filiar ao PMDB, partido recém-rompido com o governo estadual, Getúlio disse que ele era a pessoa menos indicada para falar a respeito. “Eu sou a pessoa pouco indicada para falar a respeito de migração partidária, porque eu nunca deixei o meu partido”, lembrou.
Aldeir Torres
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