24 de set de 2013

Aldeir Tôrres - Economia

Seis municípios potiguares não aparecem para receber seus carros-pipa
Os prefeitos de seis dos 18 municípios potiguares escolhidos para receber nesta segunda-feira a doação de um caminhão-pipa novinho, cada um no valor de R$ 250 mil, simplesmente não apareceram e nem mandaram representantes.

Eles foram os primeiros dos 149 municípios em estado de emergência a receber a doação do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC 2), do Governo Federal, como forma de minimizar os efeitos da seca. Outros carros só chegarão em novembro.

Reservado pelo cerimonial da governadora Rosalba Ciarlini para ser um dos eventos mais importantes do dia da agenda oficial, a doação dos caminhões-pipa (um investimento de R$ 4,5 milhões do Ministério do Desenvolvimento Agrário para o RN) mereceu bem mais a atenção de Rosalba do que a reunião marcada para o mesmo horário na Escola de Governo. No encontro promovido pela Secretaria de Trabalho, Habitação e Assistência Social (SETHAS) para planejar o calendário dos artesãos para 2014, a chefe do Executivo não passou nem 14 minutos. Logo ela chegou à outra reunião, esta bem menos concorrida, mas considerada mais importante do ponto de vista institucional para o governo – numa manhã em que a agenda da governadora nem foi distribuída aos veículos de comunicação.

Pouco antes de sua chegada de Rosalba à Escola de Governo, por volta das 9h15, uma funcionária do cerimonial procurou o delegado do Ministério de Desenvolvimento Agrário (MDA) no RN, Raimundo Costa, preocupada com a falta de pessoas à cerimônia de entrega dos carros-pipa.

“Estou achando muito pouca gente”, comentou para Raimundo Costa. “É lasca, você liga para todos os prefeitos, um por um, e nem assim fica tranqüilo se vão aparecer”, disse o delegado do MDA. E entre os municípios que não apareceram para pegar seu caminhão-pipa estavam Grossos, Guamaré, Ipanguaçu, Itaú,  João Câmara e Jucurutu. Boa Saúde, que não fazia parte da lista original de beneficiados, acabou incluída na última hora.

A ausência desses municípios motivou um comentário do chefe da Defesa Civil, tenente coronel Josenildo Aciolly: “Eles (os prefeitos) não devem estar muito precisados”, ironizou. Mais de 70 mil moradores da zona rural, entre eles cerca de oito mil famílias de agricultores, devem ser atingidos pelo programa de paliativos do Governo Federal.

A própria Rosalba, em várias oportunidades, afirmou considerar a presença de carros-pipa uma “vergonha” para o Estado – sinal de que não existem obras estruturantes capazes de resolver definitivamente o secular quadro da seca no Nordeste.

Em 80 municípios do Rio Grande do Norte, segundo a Emparn, choveu menos de 300 milímetros este ano. “Por causa disso, boa parte deles serão beneficiados com os caminhões-pipa”, justificou o delegado do MDA.

Raimundo Costa lembrou dados do IBGE, segundo os quais das 476 mil pessoas a serem atingidas com esses equipamentos, 76 mil são agricultores familiares.

Depois de receber retroescavadeiras e motoniveladoras, municípios potiguares voltaram a fazer parte da segunda etapa do Plano de Aceleração do Crescimento. Desde 2012, o RN já recebeu 446 equipamentos, entre eles 163 retroescavadeiras, 149 motoescavadeiras e agora os caminhões-pipa.

O Comitê Integrado de Combate à Seca, criado em maio de 2012, ainda coordena a entregas de cisternas, perfuração e equipagem de poços, construção de barragens entre outras iniciativas.

Dentre as ações previstas ainda estão a assinatura do termo de cooperação técnica com Associação dos Municípios do Seridó Oriental (AMSO) e a Associação dos Municípios do Seridó (MAS) voltadas para 23 prefeituras da Região, 14 associadas à AMSO e nove à AMS. Cada cidade receberá cinco 5 poços, num total de 115 e ação ainda segue em execução.

A governadora Rosalba Ciarlini, mais uma vez, mencionou superficialmente as obras de construção da Barragem de Oiticica, cujo início vem sendo adiado sistematicamente desde junho, mas que agora deverá sair, atingindo diretamente 350 mil habitantes em 17 municípios do estado.

Com capacidade para 560 milhões de metros cúbicos e abastecendo a população dos municípios do Seridó, Vale do Açu e região Central do Rio Grande do Norte, a barragem é um antigo sonho dessas populações há décadas.

Sem qualquer tipo de monitoramento ou preocupação do Governo do Estado em criar um painel evolutivo das obras no Estado como forma de informar melhor a opinião pública,  os recursos de emergência do PAC-Seca financiam também a recuperação de 17 dessalinizadores na região Seridó.

Pelo Programa Água Doce, do Governo Federal, estão sendo investidos R$ 11 milhões, com contrapartida de R$ 1,1 milhão do Governo do Estado para  68 comunidades de diversos municípios do Estado (inclusive região Seridó), com a recuperação de dessalinizadores. Só não se sabe os números parciais dessas obras.

Outras iniciativas foram os convênios assinados entre o Ministério da Integração e o Governo do Estado, através da Semarh, com R$ 26 milhões para obras de infraestrutura hídrica. Esta ação está dentro do “Água para Todos”, programa do Governo Federal voltado para o semiárido nordestino e um dos âncoras do plano de erradicação da miséria.

Pelos convênios, R$ 23 milhões seriam destinados à implantação de sistemas simplificados de abastecimento d’água em comunidades e aglomerados rurais e R$ 3 milhões para a construção de barreiros.

E, finalmente, foram retomadas as obras da adutora Parelhas/Carnaúba dos Dantas, um investimento de R$ 10 milhões. Outra medida anunciada foi a retomada da obra da adutora de Laginhas, em Caicó, que beneficiará 600 pessoas e terá investimento de R$ 730 mil. Também em Caicó foi retomada a obra da adutora de Barra da Espingarda que beneficiará 400 pessoas e o investimento é de R$ 1,1 milhão do Orçamento Geral do Estado.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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