30 de ago de 2013

Aldeir Tôrres - Natal

Cidade indefesa
O apagão elétrico desta semana demonstrou a fragilidade da cidade de Natal com relação aos planos de contingência em situações de risco ou emergência. Em pouco mais de três horas, o trânsito ficou caótico, o comércio fechou, escolas ficaram sem aulas, o gerador elétrico de um hospital municipal não funcionou e até um motim ocorreu num Centro de Detenção Provisória. Enquanto isso, a Defesa Civil de Nata não fez o registro de nenhuma ocorrência causada pela falta de energia.

Segundo Jeoás Nascimento, diretor do Departamento de Defesa Civil da Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Social (Semdes), todos os 25 agentes estavam disponíveis para atender a cidade na quarta-feira passada. ?Não fomos acionados. Se tivéssemos sido comunicados, nós teríamos realizado algum tipo de atendimento. Mas não ocorreram situações de necessidade do nosso trabalho?, detalhou.

Na quarta-feira, de acordo com a Câmara dos Dirigentes Lojistas de Natal (CDL), o apagão rendeu um prejuízo de 20% a 25% no faturamento do dia. Boa parte do comércio do município fechou as portas. As instituições de ensino suspenderam as aulas ainda no início do apagão. No Hospital Municipal dos Pescadores, nas Rocas, o gerador de emergência não funcionou. Dois pacientes que respiravam com a ajuda de aparelhos precisaram ser atendidos com respirador manual até que o fornecimento fosse regularizado. Técnicos de enfermagem se revezavam na tarefa.

Durante o apagão, que durou pouco mais de três horas, as equipes da Defesa Civil trabalharam no monitoramento das lagoas de captação de águas pluviais. A preocupação era de que chuvas pudessem causar transtornos e possíveis inundações. ?Procuramos a Secretaria Municipal de Obras Públicas [Semopi] para que nos cedessem algumas bombas de sucção móveis e, com isso, evitar alagamentos?, contou Nascimento. A cidade de Natal tem hoje 129 lagoas de captação.

Outra ocorrência atendida pela Defesa Civil foi a interdição de uma escola municipal na comunidade do Paço da Pátria, na Zona Leste. Por lá, uma caixa d?água apresentou rachaduras e corre risco de desabar. ?Nós interditamos a instituição e demos um prazo de 15 dias para que a direção realize algum tipo de reforma?, contou. O receio das equipes é de que a estrutura desmorone sobre a linha férrea que corta a comunidade.

Jeóas Nascimento ressalta que todas as instituições públicas e privadas prejudicadas pela falta de energia deveriam adotar projetos ou planos de contingenciamento para evitar maiores prejuízos, mas se exime de possíveis falhas na condução dos trabalhos para evitar transtornos à ordem pública. ?Não é nossa alçada trabalhar para controlar o trânsito, por exemplo, mas podemos ajudar na articulação dos órgãos públicos e evitar maiores perturbações?, explicou.

Ele explicou que o principal trabalho da Defesa Civil municipal é o de fazer o monitoramento das áreas de risco, quando são desenvolvidas atividades preventivas, e o de realizar atendimentos em situações de desastres. Atualmente, o município tem 74 áreas de risco ? são áreas passíveis de alagamentos, deslizamentos de terra ou desmoronamento de estruturas. ?Nossa maior atenção é com relação aos bairros de Mãe Luíza e das Rocas, com moradias localizadas em encostas. E estamos monitorando a situação destas comunidades?, comentou.
Os serviços da Defesa Civil podem ser acionados através da Coordenadoria Integrada de Operações de Segurança (CIOPS), no número 190, e pela própria Secretaria Municipal de Segurança e Defesa Social, pelo telefone 3232.3538. Ao receber o chamado, o CIOPS repassa a ocorrência via sistema de rádio para a base da Defesa Civil.

Para o coordenador geral da Defesa Civil no Rio Grande do Norte, tenente-coronel Josenildo Acioli, os problemas surgidos em decorrência do apagão elétrico deveriam ter sido contemplados por planos de contingência. ?As providências teriam de ser tomadas pelos órgãos competentes. Eventos isolados como os de ontem deveriam contar com planos de contingência?, ressalta.

A atuação da Defesa Civil Estadual é de articulação e controle das ações de prevenção e monitoramento de desastres naturais e de atendimento às situações de emergência e de calamidade pública nos municípios potiguares. Mas, hoje, a entidade conta com apenas quatro servidores: o coordenador-geral, um secretário, um assessor técnico e um motorista.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

Obrigado por visita.

Nenhum comentário:

Postar um comentário