30 de ago de 2013

Aldeir Tôrres - Meio ambiente

Homens do campo esperando pelas chuvas
O dia amanhece nublado. O vento sopra friamente. O sol demora um pouco a aparecer. As primeiras chuvas, mesmo que fracas, já começam a cair. Hora de reavivar as esperanças em um período chuvoso satisfatório e se preparar para plantar.

Agricultores da zona rural de Mossoró já estão limpando o terreno, arando a terra e separando as sementes. Outros preferem esperar que o céu mande mais água para não perder o pouco que se tem guardado.

As precipitações ainda tem sido tímidas, mas já são suficientes para animar os homens do campo e mudar a cor do sertão de cinza para verde.

O agricultor Antônio Mossoró não esperou a quarta chuva e já correu para o terreno para plantar milho e feijão. “Plantei em quatro hectares e ainda vou plantar mais. Estou esperando cair mais água, por enquanto é só chuva fininha”, disse o morador da comunidade Passagem do Rio.

Toda a sua produção é para consumo da família – se sobrar é que ele vende. Na região ainda há pequenos produtores que comercializam, além do milho e do feijão, sorgo e capim.

Antônio Mossoró se diz esperançoso. “Deus está mostrando que o inverno deste ano vai ser bom. Ano passado não teve nada - perdemos tudo que plantamos e muita gente por aqui passou dificuldade”, relata o senhor.

No ramo há cerca de 50 anos, Mafaldo Gomes está bastante desconfiado e diz que não acredita em ‘experiências’ (é assim que muitos agricultores chamam os sinais do tempo como o formato das nuvens, direção do vento, posição do sol, etc).

“Eu sei isso desde o tempo do meu pai. Choveu, molhou o chão, deu certo e a gente corre pra plantar. Se não choveu, perdeu tudo e pronto. É como um jogo. Não acredito nessas coisas”, disse o agricultor do Projeto de Assentamento Recanto da Esperança, na comunidade Lagoinha.

A maior parte da sua plantação nos seus dois hectares será de milho e uma pequena parte é destinada ao feijão. Mesmo ressabiado, o senhor mandou ‘cortar’ a terra esta semana esperando a chegada de mais chuvas. Ele teme passar pela mesma situação do ano passado.

 “Choveu muito fininho, quase nada e plantei. O milho cresceu quase assim”, disse ele, apontando com a mão uma altura de aproximadamente um metro. “O milho não cresceu quase nada, com bem pouquinho caroço. Pra não dizer que perdi tudo, ainda juntei um saco de milho e tá guardado desde o ano passado para dar ao cavalo e às galinhas. Tenho fé em Deus que esse ano a gente faz [produção] pelo menos para dar de comer aos bichos brutos”, destaca Mafaldo.
Aldeir Torres
Aldeir Torres

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